Pragas


Aranhiço Vermelho


Tratam-se de ácaros que no seu processo de alimentação sugam o conteúdo celular da epiderme das folhas, provocando o esvaziamento das células com a perda da função fotossintética e transpiração. Observa-se um enfraquecimento geral com quedas de folhas, perda de vigor e conseguem mesmo desfolhar árvores inteiras.

Medem menos de 1 mm e para os identificar usa-se uma lupa ou coloca-se uma folha branca por debaixo dos ramos do bonsai que se abanam.

Se observar movimento, são eles! Nas coníferas : as agulhas perdem a cor, tornam-se amareladas, passam a tons acastanhados e finalmente caem. Observam-se finas teias entre os ramos.

Os ovos são depositados na base das agulhas e nas fissuras da cortiça dos troncos.

Nas árvores de folha caduca : os ovos hibernam nas inserções dos ramos e dos gomos e podem formar manhas avermelhadas sinónimo da forte presença deste ácaro. No início da Primavera ocorrem as primeiras eclosões que picam o limbo das folhas. Vivem principalmente no reverso destas que adquirem um tom cinzento prateado e posteriormente castanhas no caso de um ataque massivo.

Tratamento: A proliferação dos aranhiços vermelhos está relacionada com a secura ambiental, pois em ambientes húmidos não conseguem completar o seu desenvolvimento. O primeiro remédio a pôr em prática será o pulverizar água sobre as zonas afetadas em especial no reverso das folhas e onde encontremos fios de seda ao mesmo tempo que se aumenta ligeiramente a frequência de rega, situando a planta em lugar protegido dos raios solares diretos. Em caso de uma infeção considerável utilizar acaricidas. Em certos casos a luta pode ser delicada já que os ácaros podem tornar-se resistentes o que obriga à utilização de outras substâncias ativas, com o consequente risco de fito-toxicidade.


Afídeos ou Piolhos


São insetos picadores - sugadores de seiva e os primeiros indícios da sua presença são as pontas dos rebentos corroídas. Além disso, causam deformações amarelecimentos e encarquilhamentos nas folhas. As flores e os frutos podem também ser afetados. Excretam uma abundante substância pegajosa que origina o aparecimento de ataques de fumagina e podem ser importantes vetores de viroses.

Hibernam na forma de ovo e podem ter diversas gerações anuais. A maioria das espécies faz o seu ciclo em mais do que um hospedeiro.

Tratamento: recomenda-se um tratamento ao aparecimento da praga com um inseticida sistémico de contacto e ingestão.


Pulgões


A cor dos pulgões pode ser muito variável desde o verde e o negro que é mais característico até ao amarelo e branco. A sua acção consiste em chupar a seiva que flui nos talos mais jovens. Conduzem à formação de tumores devido à desorganização do sistema vascular da planta, que podem ser a porta de entrada de outros parasitas.

Os ovos hibernam na cortiça dos troncos. A partir de Abril podem-se descobrir as larvas nas extremidades dos rebentos e quando adultos agrupam-se no nervo central das folhas sempre no reverso destas.

Impregnam tudo de uma substância pegajosa e provocam deformação e atrofiamento das partes afetadas. O pulgão negro é portador de doenças víricas.

A foto é de um pulgão lanígero que deve o nome às ninfas que hibernam cobertas de fios cerosos esbranquiçados.

Tratamento: é preciso eliminá-los quando ainda não se converteram em praga, retirando-os com a ajuda de um pouco de algodão impregnado em água com sabão. Se não for suficiente e o parasita já se estendeu ao reverso das folhas, durante a rega projetar uma pulverização forte sobre a folhagem para os fazer cair. Utilizar inseticidas próprios para a praga.


Mosca Branca


A mosca branca é um inseto picador - sugador devido ás características da sua armadura bucal. Os adultos são pequenos com cerca de 1,5 a 2 mm de cor branca/amarelada e possuem dois pares de asas. Podem observar-se facilmente no reverso das folhas. Voam quando se sentem ameaçados, pousando em seguida numa folha vizinha.

A mosca branca prefere temperaturas altas e desenvolve-se mais rapidamente quando a temperatura está entre 26ºC e 32ºC.

Os sintomas estão relacionados com a sucção da seiva, conduzindo ao enfraquecimento e redução do crescimento. Pode causar cloroses nas folhas e a sua queda prematura. Quando se alimentam excretam uma substância açucarada, denominada melada que suporta o aparecimento da fumagina (doença fúngica). A mosca branca pode também transmitir vírus.

Tratamento: Utilizar inseticidas próprios (por contacto ou ingestão). A primeira aplicação deve efetuar-se no inicio da eclosão dos ovos pois é um estádio de maior sensibilidade. Deverá efetuar-se um segundo tratamento após cerca de 3 semanas, isto é, no inicio de um novo ciclo.


Cochonilha


As cochonilhas são insetos picadores – sugadores que se alimentam da seiva da planta debilitando-a. Existem vários tipos destes insetos e o que os distingue entre si é a existência ou não de um escudo protetor, se segregam ou não a melada e o facto de algumas espécies serem fixas e outras móveis durante os vários estádios da sua vida.

Quase todas produzem disfarces à base de ceras, nuns casos formam uma estrutura tipo escudo e noutros apenas uma camada protetora. A cochonilha algodonosa é móvel e não possui escudo.

Apresenta uma cor esbranquiçada sendo bastante comum localizá-las no invés das folhas de caducas. A presença de agrupamentos algodonosos nas folhas e brotos indicam a presença de uma postura de ovos.

Atacam os gomos, folhas, caules, ramos e raízes. Provocam cloroses e amarelecimentos foliares, podendo conduzir à queda de folhas e morte de ramos. No caso de árvores de fruto as cochonilhas são responsáveis pela deformação e queda de frutos jovens.

Muitas vezes em torno da cochonilha observa-se uma mancha vermelha na planta que aparece como resultado da produção de um pigmento em resposta do hospedeiro (planta) a ação da saliva do inseto, que é tóxica. É frequente a excreção de meladas que favorecem o desenvolvimento de fungos do tipo da fumagina, a qual dificulta as funções respiratórias e fotossintéticas da planta. Assim, a presença da fumagina é muitas vezes indicadora da presença deste parasita.

Tratamento: O tratamento resulta mais eficaz se for efetuado na fase larvar uma vez que na fase adulta as cochonilhas na sua maioria estão protegidas pelo seu escudo sendo dificilmente atingidas por produtos químicos. Poderá retirar as cochonilhas utilizando um pano molhado numa solução de água com sabão ou numa solução de água com umas gotas de álcool. O recurso a inseticidas próprios para a praga nem sempre resultam já que os escudos destes insetos formam uma verdadeira proteção. Existem alguns óleos específicos que cobrem as suas carapaças com o objetivo de as asfixiar, no entanto podem causar danos nas trocas gasosas da própria planta.


Lagarta Mineira


As lagartas mineiras escavam galerias nos interior das folhas e alimentam-se da sua seiva.

Para além da redução da área fotossinteticamente ativa , as galerias são portas de entrada a diversos agentes patogénicos, quer devido às perfurações de alimentação, quer aos orifícios de saída da larva para o exterior.

As folhas atacadas apresentam um aspeto clorótico.

O tecido "minado" acaba por necrosar e as folhas morrem e caem. Surgem também deformações que se assemelham ao ataque de pulgões. As galerias são visíveis a olho nu, apresentando coloração prateada escura resultante dos excrementos líquidos da larva ao longo da galeria. Quando os ataques são muito intensos chegam a ser contadas várias galerias por folha.

Tratamento: utilizar um inseticida de contacto e ingestão específico.


Broca


As brocas escavam galerias no interior dos ramos podendo conduzir à morte das árvores. São particularmente suscetíveis aos ataques destas pragas as árvores mais debilitadas, idosas ou em condições de stress.

São insetos que se alimentam-se do lenho das árvores. Quando borboletas apenas voam durante a noite, o que torna muito difícil a sua deteção. Só se tornam visíveis quando já estão instaladas, quando ocorre uma poda ou quando cai um ramo por ação do vento e denuncia os túneis escavados.

A observação de orifícios pelos quais sai serradura também pode denunciar a atividade alimentar das larvas.

Tratamento: os inseticidas sistémicos não resolvem o problema, isto porque não penetram o suficiente na madeira. Podar os ramos afetados.


Nemátodos


Com este nome se denomina um verme muito especial, pois o seu reduzido tamanho e os hábitos que apresenta resultam verdadeiramente singulares.

Não se trata de nenhuma larva de escaravelho ou outro inseto: é um adulto minúsculo que parasita as raízes formando quistos na sua superfície. Além disso é transmissor de doenças produzidas por fungos e vírus, infetando os recipientes em que se cultivam os bonsai.

São fáceis de identificar quando se leva a cabo o transplante e se realiza a poda das raízes provocam o aparecimento de pústulas, em alguns casos com aspeto putrefacto. Os sintomas externos são o amarelecimento progressivo das folhas desde a base até à copa.

Tratamento: o melhor tratamento preventivo é sem dúvida a precaução. Resulta de suma importância conhecer a procedência da terra do composto que usamos, assegurando-nos que está esterilizada e sermos meticulosos com a limpeza dos recipientes e vasos de cultivo. O modo de combater os nemátodos passa, em princípio, por reduzir a rega e manter os exemplares num local fresco. Posteriormente efetuamos um transplante retirando toda a terra das raízes, podando-as de modo vigoroso e aplicar um produto específico (nematodicida). A nova terra deve ser de boa qualidade e o vaso perfeitamente desinfectado.